É VERDADI CUMPADI!

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Agora tamo em rede, mas com o pé no chão.
Toda semana ocê vai encontrar aqui as feição de nosso arquivo e as prosa desse nosso imenso vale caipira.
Lugar que tem muita coisa boa pra escafunchá.
Tudo em vorta de um fogão de lenha, com as gostosuras que nossa gente faz.
Tem ainda os parpites pra passeá, mostrano as lindura da natureza procê se espriguiçar no finar da sumana.
João Rural - Diretor
Areias

Coordenadas Geográficas:
Latitude: 22º 33’ 45” S Longitude: 44º 41’ 15” W

Localização:
Leste do Estado de São Paulo - Vale Histórico
Ext. Territorial:
306,6 km²
Altitude: 540 m na cidade e 2.100 na Serra da Bocaina
Habitantes: 3.692
Hidrografia: Rio Paraitinga, Ribeirão Santan, Córrego São Miguel, Ribeirão Vermelho.
Limites: Cunha, Queluz, São José do Barreiro e Silveiras
Distâncias:
São Paulo - 252 km
Rio de Janeiro - 167 km
São J. do Barreiro - 23 km
Arapeí - 53 km
Bananal - 70 km
Temperatura:
Entre 14° C e 27° C
Clima: Temperado

O pouso das areias
A história do pouso das areias tem início em 1770, na antiga povoação de Santana da Paraíba Nova, à margem da antiga Estrada Imperial, que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro. Essa comunidade passou à Freguesia, em 1784, com o nome de Areias, sendo parte do território de Lorena. E assim foi, até que, em novembro de 1816, a pedido dos moradores, D. João VI elevou a Freguesia à Vila de São Miguel das Areias, em homenagem ao seu filho, D. Miguel.
Estando entre os pioneiros da cultura de café no estado de São Paulo, foi em Areias que se realizou o primeiro plantio da variedade Brasilea Fulcrum.
O braço forte dos escravos contribuiu para a prosperidade das fazendas do café, que chegaram a produzir até 100 mil arrobas por ano. Essa situação atraiu muitos povoadores e, com isso, Areias se desenvolveu e desempenhou papel de destaque na história econômica e política da época.
Durante a Revolução de 1842, foi anexada à Província do Rio de Janeiro e perdeu suas garantias constitucionais. O título de cidade chegou em 1857. Areias deriva do tupi “haie”, que significa atalho.
Como testemunhas dessa época de glamour, ainda estão em pé muitos sobrados coloniais, nos quais os senhores do café passavam com suas famílias os períodos das festas religiosas, como a Semana Santa e as festas de Sant´anna e de São Miguel.
Um fato sempre destacado na história da cidade é que o escritor Monteiro Lobato viveu em Areias, após assumir o cargo de promotor público, em 1907.
Biodiversidade na Bocaina
A região onde nasce o Paraíba do Sul, denominada Campos da Bocaina, que fica nos municípios de Areias e Silveiras, tem uma característica própria em sua biodiversidade.
Quem chega ao local, mesmo admirando toda beleza, tem a impressão de que quase toda a mata foi devastada pela mão do homem nos últimos séculos. Os morros são praticamente pelados, apresentando vegetação característica de estepes, com pequenos arbustos e gramíneas. Mas pesquisas recentes do Instituto Florestal demonstram que a região sempre foi assim, com sua infinidade de plantas características, cada uma florindo em época diferente. Diz-se, que o vento constante na região, não deixa as plantas crescerem e, assim, elas foram se moldando ao ambiente. São dezenas de espécies de plantas encontradas somente naquele lugar.
A nascente do ribeirão da lagoa surge entre as pedras em meio a uma mata nativa.
A nascente é aqui
Ao final de 2006, uma discussão, que já se arrastava por décadas, teve fim. A partir de um estudo do Movimento Nascentes do Paraíba, vários órgãos oficiais se empenharam na busca da real localização do ponto em que nasce o Ribeirão da Lagoa, formador do Rio Paraitinga, um dos afluentes do Rio Paraíba do Sul.
Por uma análise feita no local e através de cartas geográficas a comissão chegou a conclusão de que a nascente fica mesmo em Areias e não em Silveiras, como se propalava. O Instituto Geográfico levantou a lei 8092, de 1964, que descreve as divisas na Serra da Boa Vista. Nela, a descrição deixa claro a verdade agora aceita por todos.
No local foi colocado um Marco Georeferenciado, para marcar o local. Como ela é a nascente geograficamente mais distante da foz do Rio Paraíba do Sul, é considerada o ponto inicial desse rio. Através de satélite, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) vai monitorar a área, medindo tempo, clima e vazão da água.
O local fica em propriedade particular, na Fazenda da Lagoa, nos Campos da Bocaina. Do local da nascente, pode-se observar todo o Vale do Paraíba e a Serra da Mantiqueira, num espetáculo de beleza e magia da natureza.
Quem desejar visitar o local, deve procurar a Seção de Turismo de Areias. A viagem de 18 quilômetros é por estrada de terra e subindo a serra.

Apenas a cem metros da nascente principal, depois de juntar com outras nescentes,o ribeirão da lagoa jorra num volume considerável de água, pura e cristalina.

A história do Brasil ao vivo
Em apenas uma rua de pouco mais de dois quilômetros, desfilam séculos de história do Brasil. Assim é a rua principal de Areias, onde cada prédio, cada porta, cada janela tem um pouco de história a contar. Por esses casarões desfilaram os barões do café, as sinhazinhas e os políticos afoitos pelo poder, onde tudo era decidido pelo valor do café.
Areias, bem no meio do Vale Histórico, foi ponto estratégico dessa região, que mandava no Brasil nos tempos áureos do “ouro negro”. Sob a administração dessa cidade estavam todas as outras quatro do Vale Histórico, até se emanciparem no final do século XIX.
Solar do Capitão Mor
Construída por Gabriel Serafim da Silva, recebeu o príncipe D. Pedro I, por ocasião de sua passagem para proclamar a Independência. Conserva até hoje sua arquitetura original na parte externa.
Igreja Matriz
Sua construção foi iniciada em 1792, mas o término só aconteceu em 1874. Em 1890 já teve uma reforma. No seu interior, estão a imagem de São Miguel e do Cristo Morto, feito em madeira. Destaque para o sino maior que foi doado pelo Major Manoel da Silva Leme, em 1863. Pesa 1.100 kg, tem 1,5 metro de altura e foi importado da Bélgica.
Casario Colonial
A cidade tem em seu centro vários prédios tombados pelo Patrimônio Histórico. Destaque para o sobrado de número 35, na Rua XV de Novembro, onde residiu Monteiro Lobato. O prédio da antiga Santa Casa, onde hoje funciona uma escola, é datado de 1825. O prédio da Prefeitura Municipal foi construído no final do século XVIII.
Capela da Boa Morte
Datada do final do século XVIII, aparece em pintura de Jean Baptista Debret, em 1827, conserva ainda os traços arquitetônicos da época. Guarda em seu interior a imagem do Senhor Morto. Praça da Boa Morte.
Fazendas
A cidade teve muitas fazendas do ciclo do café, mas poucas sobreviveram. A Fazenda Vargem Grande foi construída em 1837, conserva ainda a arquitetura original. Possui em seu interior um jardim projetado por Burle Marx. Próximo a entrada da cidade, está a Fazenda Santo Antonio, datada do século XIX, podendo ser vista somente da estrada.
Velha Figueira
Foi um dos marcos da fundação da cidade. Sua idade se perde no tempo, mas consta que abrigava os tropeiros que iam e vinham por ali. Fica na Praça da Boa Morte.
Represa do Funil
Parte do lago da represa chega até as terras de Areias, proporcionando opções de passeios de lancha e pesca. Chega-se pela estrada dos tropeiros.
Casa da Cultura
Está instalada no prédio que foi Câmara e Cadeia, construído em 1833. Tem em exposição objetos de uso das antigas fazendas, fotos antigas da cidade e equipamentos de cozinha e mobiliário. A biblioteca homenageia o escritor Monteiro Lobato, que foi promotor público na cidade de 1907 a 1911. O acervo tem livros, mobiliário do escritor e jornais da época. A coleção do periódico “O Mosquito”, de 1873, traz pérolas da vida social da época, como notícias sobre fuga de escravos e anúncio do vendedor mascateiro que oferecia “calças e camisas de algodão de Minas”. Abre todos os dias. Rua 15 de novembro, 190. Entrada gratuita, das 8h às 17h. Tel. (12) 3107-1540.
areiastur@hotmail.com
Casa do Artesão
Tem exposição e venda de artesanato e arte de 13 artesãos da localidade. Doces típicos e outros produtos caseiros. Pça Teodorico Ribeiro Coutinho, 32 -Tel. (12) 3107-1539.
Léo
Araras em madeira - Vl. Araújo.
Cida Guedes
Objetos em bambu - Morro do Rocio.
Maria Neusa
Balaios, peneiras em bambu - Vila São Sebastião.
Casa da Cultura
Capela do Senhor Bom Jesus
Alegria ao Senhor Morto
Não se sabe ao certo quando começou a festa, mas em 20 de fevereiro de 1873, o jornal “O Mosquito” relata que cerca de mil pessoas participaram da Festa do Senhor Morto. A tradição segue até hoje, parando somente alguns anos, por proibição de um padre.
A família Sampaio comparece todos os anos, no mês de maio, com os familiares enchendo os hotéis e casas de parentes.
As solenidades começam com uma alvorada alegre, que tem até baliza na frente. Dizem eles que a festa é do senhor ressuscitado e, portanto, tem que ser alegre.
A imagem do Senhor Morto fica na Capela, na cidade. No dia anterior os devotos enfeitam o caixão com rosas vermelhas. No dia da festa, sempre próximo do dia 3 de maio, o cortejo parte da Capela do Senhor Morto, carregando ainda um mastro e acompanhado da Banda Musical. Na estrada nota-se que muita gente simples comparece para pagar suas promessas, caminhando até a capela rural.
Chegando ao local acontece a Santa Missa em devoção ao santo.
Depois da missa acontece o beijamento do Senhor Morto, ocasião em que cada um leva uma rosa como lembrança.
Para finalizar, todos se confraternizam participando da distribuição de salgados e doces para os visitantes da festa.

 

 
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