É VERDADI CUMPADI!

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Agora tamo em rede, mas com o pé no chão.
Toda semana ocê vai encontrar aqui as feição de nosso arquivo e as prosa desse nosso imenso vale caipira.
Lugar que tem muita coisa boa pra escafunchá.
Tudo em vorta de um fogão de lenha, com as gostosuras que nossa gente faz.
Tem ainda os parpites pra passeá, mostrano as lindura da natureza procê se espriguiçar no finar da sumana.
João Rural - Diretor

 

 

Cruzeiro

Coordenadas Geográficas:
Latitude: 22º 44’ 38” S Longitude: 44º 57’31” WLocalização:
Extremo leste do Estado de São Paulo - Vale do Paraíba
Ext. Territorial: 305 km²
Altitude: 515 metros
Habitantes: 77.001
Hidrografia: Rios e Ribeirões Dolores, da Barrinha, do Embaú, Passa Vinte e Itagaçaba
Limites: Lavrinhas, Cachoeira Paulista, Piquete, Silveiras, Passa Quatro –MG e Marmelópolis –MG
Distâncias:
São Paulo - 220 km
Rio de Janeiro - 213 km
São José dos Campos-147km
Temperatura:
Média de 25.2° C
Clima: Tropical

Igreja de Santa Cecília
O Embaú virou Cruzeiro
O Embaú, primeiro núcleo de Cruzeiro, surgiu com os Bandeirantes no século XVI. Atravessando o sertão pelo Caminho Velho (Estrada Real), buscavam alcançar a Garganta do Embaú, ponto mais baixo da Serra da Mantiqueira em direção às Minas Gerais.
Em 1747, é criada a Freguesia da Piedade (hoje Lorena) e aparecem registros deste núcleo de povoação (Embaú), distante quatro léguas de Lorena, no caminho que vai para a Mantiqueira.
Em 1787, começa a funcionar no Embaú uma Capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Segundo registros, o Embaú era o único caminho usado por mais de 200 anos, ao pé da Serra da Mantiqueira, e representava o ponto inicial da escalada que levaria os Bandeirantes ao outro lado da vertente, em território das Minas Gerais.
Em 1846 foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Embaú. A instalação do município aconteceu em 1871, sendo desmembrado de Lorena. Recebeu o nome de Vila da Conceição do Cruzeiro.
A Garganta do Embau, na Mantiqueira
Das trilhas ao planejamento
Passa vinte, embaú, trilha do zigue-zague. Os nomes de alguns locais de Cruzeiro já demonstram sua importância na história da região.
Era por essas terras que os viajantes do passado deixavam o Vale do Paraíba, pra adentrar ao sertão de Minas Gerais. O caminho era pela famosa garganta do Embaú, onde, segundo pesquisadores, já existia um caminho milenar usado pelos índios. Esse caminho saía de Paraty, subia por Cunha e ia em direção ao centro do Brasil.
Com a chegada dos europeus, sua importância cresceu, principalmente na descoberta do ouro, quando ganhou o nome de Estrada Real. A Vila do Embaú, hoje pertencente ao município de Cachoeira Paulista, começou a se formar em 1597, tornando-se um importante pouso de tropas. É indo pelas encostas da Serra da Mantiqueira que se pode viver um pouco dessa história. Os ribeirões e cachoeiras ainda rolam pelas encostas, proporcionando visuais do vale e da mata atlântica. Em alguns locais pode-se tomar um banho refrescante.
Na região da Estrada do Passa Vinte estão algumas pousadas, sítios de lazer e a gastronomia típica, com vários restaurantes, onde as atrações são as boas comidas, ainda preparadas em fogão à lenha.
No bairro do Batedor pode-se ainda percorrer pela trilha do zigue-zague, para subir a serra até Minas Gerais (Passa-Quatro. Procure ali pela D. Maria José, que ainda faz o arroz vermelho com suã, tradição do lugar.
Na estrada que sobe a serra pra Minas Gerias, estão outras atrações, como a Fazenda Bela Vista, que atualmente é um restaurante de comida típica. No restaurante Caipira, bem na entrada do Batedor, ainda se come o feijão tropeiro, carregado de torresmo e carne seca, como os tropeiros apreciavam.
Na divisa com Minas, bem na garganta do Embaú, uma parada para apreciar a água geladíssima e vislumbrar o visual do vale, lá embaixo.
Estão nesta região os restos da Estrada de Ferro Dom Pedro II, construída em 1882. Um túnel de 996 metros foi preciso ser construído, para minimizar a subida. Em 1932, foi crucial nas lutas da Revolução Constitucionalista, tornando-se um marco divisor entre as tropas mineiras e paulistas. Os paulistas tomaram conta do lugar, mas os mineiros queriam avançar e tomar a posição. Apesar da luta dos paulistas, Cruzeiro entrou para a história como o local em que as tropas paulistas se renderam às tropas de Getúlio Vargas.
Nova cidade - A cidade que se formou no Núcleo do Embaú, devido a passagem dos viajantes, acabou perdendo seu poder, em 1901, para o “povoado da Estação”, que começou a ser formado desde 1882. A transferência da sede para o atual local, provocou o crescimento da cidade que teve suas ruas planejadas como uma cidade moderna, tendo, até recentemente, suas ruas e avenidas com nome das letras do alfabeto e números. Os moradores até hoje ainda citam as ruas como “1, 2 ...” e as avenidas “A, B, C...”.
A partir da década de 20, do século passado, com o crescimento da agropecuária na região e, principalmente em Minas Gerais, a cidade se tornou o centro de frigoríficos, para a o abate de animais para abastecimento de São Paulo.
Junto com o crescimento da agropecuária, vieram as grandes indústrias, principalmente a fábrica de vagões, com a construção da Rotunda, que atualmente é um centro de eventos.
Tropa ainda passa no local
Casarão dos Novaes
Pelas ruas da história
Antes de enfrentar as estradinhas rurais de Cruzeiro, vale um dia na cidade pra conhecer o que resta de suas construções históricas. Começa pelas antigas igrejas, passando pelos prédios do ciclo do café, museu histórico e até a estação de trem, que foi um marco na vida da cidade. Opções de gastronomia, no centro são muitas. Vai desde os pratos mais sofisticados, passando por massas, comida japonesa e os tradicionais. Não deixe de experimentar no Bar do Alemão o tradicional torresmo assado e o pastel do Fernando, tradição de mais de trinta anos no mesmo lugar e, o mais importante, com o mesmo sabor.
Teatro Capitólio - No lugar tinha uma casa que funcionava como Cabaré. Em 1929, o empresário Domingos Navarra, resolveu construir o teatro. Ficou um prédio de arquitetura suntuosa e, durante muitos anos ali funcionou o cinema, bem como recebia peças teatrais e abria espaço para eventos sociais da cidade. Ficou por alguns anos decadente e, em 2001, foi reformado, mantendo suas características originais.
Centro Cultural Rotunda - Foi construído em 1930, para ser oficina da Estrada de Ferro. Com sua desativação, em 1990, a prefeitura adquiriu o prédio e transformou em centro cultural. Ali acontecem eventos culturais e cursos para a população.
Estação Ferroviária - Foi construído em 1884, logo depois da inauguração da linha férrea. Atualmente está desativada, pois não há mais trens de passageiros.
Museu Major Novaes - A mansão dos Novaes foi construída em 1840, que na época era a Fazenda Boa Vista. Guarda em seu interior peças e arquivos históricos da cidade, sendo aberto para pesquisadores.
Fazenda Pedra Branca - Construída no século XIX, para produção de café, era um pouso dos tropeiros que passavam pela Estrada Real. Fica na Rod. Cruzeiro/Minas, km 227.
Igrejas - A de Nossa Senhora da Imaculada Conceição foi construída em 1935 e é a Matriz da cidade. Além da arquitetura externa, mantém decoração interna originais. A de Santa Cecília é datada de 1897 e mantém suas características arquitetônicas externas e internas.
Igreja Matriz e decoração interna
Teatro Capitólio

 

 
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