É VERDADI CUMPADI!

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Agora tamo em rede, mas com o pé no chão.
Toda semana ocê vai encontrar aqui as feição de nosso arquivo e as prosa desse nosso imenso vale caipira.
Lugar que tem muita coisa boa pra escafunchá.
Tudo em vorta de um fogão de lenha, com as gostosuras que nossa gente faz.
Tem ainda os parpites pra passeá, mostrano as lindura da natureza procê se espriguiçar no finar da sumana.
João Rural - Diretor

 

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Natividade Da Serra

Coordenadas Geográficas: Latitude: 23º22’32” sul Longitude: 45º26’31” oeste

Localização: Natividade da Serra situa-se na microregião do Alto-Paraíba, nos contrafortes da Serra do Mar
Hidrografia: Rio Paraitinga, Rio Paraibuna, Rio Lourenço Velho, Rio do Peixe, Rio Pararaca, Rio Manso
Extensão territorial
848 km 2
Altitude: 750 metros
Habitantes: 6.667 habitantes
Limites: Redenção da Serra, São Luís do Paraitinga, Caraguatatuba, Ubatuba e Paraibuna
Distâncias: Redenção da Serra - 19 km
Paraibuna - 35 km
São Paulo - 132 km
Taubaté - 37 km
Rio de Janeiro - 354 km
Temperatura: Média anual oscilando entre 17º e 18ºC
Clima: Temperado com inverno seco

Igreja Matriz
Vontade de existir
Com pouco mais de 7 mil habitantes, a pequena Natividade da Serra é um exemplo de tenacidade na luta pela sobrevivência. Foram muitas mudanças de comarca, de nome, de categoria; até ser demolida para dar lugar a uma represa e reconstruída em outro local.
Em 1853, o Cel. José Lopes Figueira de Toledo fundou, em um território de Paraibuna, a povoação do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rio do Peixe, que foi elevada à categoria de Freguesia em 24 de abril de 1858 com o nome de N. Sra. do Rio de Peixe. No ano de 1863 passou à ser Vila, foi denominada Natividade e incorporada à Comarca de Jacareí. Em 1895 passou à Comarca de São Luís do Paraitinga e voltou a Jacareí em 1914. Um decreto em 1934 reduziu a Vila Natividade à categoria de Distrito de Paz, sendo anexado novamente a Paraibuna em 1935. Ainda passou a pertencer à Comarca de Taubaté e retornou à Comarca de Paraibuna, a qual pertence até hoje.
Finalmente chegou à categoria de município em 1864 e foi reinstalado em 1935, mas o nome definitivo de Natividade da Serra, originário da Padroeira da cidade Nossa Senhora da Natividade, só foi confirmado em 30 de novembro de 1944. O Distrito de Bairro Alto foi incorporado ao município de Natividade da Serra em 1863. Assim, 150 anos se passaram e quando tudo parecia acomodado, os moradores receberam a notícia de que deveriam deixar suas casas porque a área seria inundada pelas águas represadas dos rios Paraibuna, Lourenço Velho, Rio do Peixe e Paraitinga, formando a represa de Paraibuna.
Tempo de recomeçar. A nova cidade começou a ser construída em 13 de agosto de 1973. A pedra fundamental foi lançada onde se encontra hoje a Igreja Matriz. No dia 15 de janeiro de 1974, uma tromba d’água caiu sobre a cidade e apressou a mudança dos moradores, como uma confirmação dos céus de que ali não era mesmo seu lugar.
Conhecendo a história é quase impossível não se deter um momento na apreciação da represa e imaginar quantos sonhos foram inundados por aquelas águas.
Tradições e novidades

A cidade é praticamente nova. Foi erguida depois da demolição das antigas construções, na década de 70. A represa é a maior atração turística, com opções de esportes náuticos e pesca livre.
O grande lago atraiu pescadores esportivos, principalmente os interessados no tucunaré. A espécie foi introduzida por pescadores e sua pesca já se torna uma das atrações locais, sediando até mesmo disputas nacionais da modalidade. A melhor pedida é procurar um guia local, na Marina da Serra.
Para quem quer somente passear, vale uma travessia de balsa na represa que para em três pontos de embarque.
Nos finais de semana a prainha se torna o ponto de encontro da moçada, que busca o local para banhos. Ali funciona também um posto improvisado de pequenos barcos que levam pessoas para os bairros rurais, ou mesmo para uma pescaria.
O atrativo maior do município está depois da represa, onde a mata e as águas formam um binômio interessante para os aventureiros. Estradinhas rurais atravessam a região da serra ligando a Rodovia dos Tamoios à Rodovia Oswaldo Cruz.
No caminho, os bairros Alto, Pouso Alto, Vargem Grande, Palmeiras e a beleza do Rio Paraibuna, com suas águas piscosas e geladíssimas. Parte desta região está dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, onde a entrada é permitida somente com autorização do Instituto Florestal.

Marina da Serra
É o primeiro local na represa de Paraibuna/Paraitinga a funcionar para atender os esportistas e pescadores. Tem garagem náutica, aluguel de lancha e piloteiro para pesca. Fecha às quarta-feiras. Fica na Prainha da cidade. Tel. (12) 3677-2181.
Pesqueiro Santiago
Funciona nos finais de semana. Estrada da Marmelada, km 1.

Prainha e Marina da Serra
Verde com muita água
Natividade se diferencia dos outros municípios pela sua composição geográfica, devido a represa Paraibuna-Paraitinga. O lago provocou a divisão do município em duas partes. De um lado ficou a cidade e bairros mais desenvolvidos. De outro lado os bairros mais distantes, localizados em meio a Mata Atlântica.
Para chegar a cidade, que foi construída na década de 70, o melhor caminho é ir por Taubaté, via Rodovia Oswaldo Cruz, depois pela estrada que passa por Redenção da Serra.
A outra parte do município pode ser atingida com facilidade pela Rodovia dos Tamoios, a partir do km 67,5 ou pela Oswaldo Cruz, com entrada após São Luís do Paraitinga. Esta região, incrustada em meio à Mata Atlântica, tem belas paisagens verdes e várias cachoeiras, além de um dos melhores trechos do Rio Paraibuna, propício a prática do rafting.
No km 67,5 da Rodovia dos Tamoios há um trecho da antiga estrada para o litoral. Seguindo por 2 km, entra-se à direita. A estradinha segue atravessando trechos de mata atlântica. A primeira parada é no km 12, no Bairro Pouso Alto, onde está a cachoeira do Rio Negro.
Seguindo em frente, a próxima parada é no km 16. É lá que funciona o Laticínios La Vera, produtor de queijos com leite de búfala.
Siga apreciando a natureza e, no km 24, faça uma parada no Bairro Alto. Aqui o passeio oferece duas alternativas: atravessar na pequena balsa da represa e ir direto para o Bairro da Vargem Grande, distante 16 km, ou seguir em frente, passando pelo Hotel Fazenda Santa Rita e chegando no Bairro Vargem Grande, distante 22 km. De lá, há ainda a opção de ir pelo Bairro das Palmeiras, distante 6 km, ou sair direto na Rodovia Oswaldo Cruz, distante 12 km.
Este roteiro deve ser feito em dia sem chuva e, mesmo assim, o ideal é um veículo 4x4.
Cachoeira da Mata
Bairro Vargem Grande
Fica próximo a divisa do Parque Estadual da Serra do Mar. O acesso mais próximo é pela Rodovia Oswaldo Cruz, km 65, com entrada na ponte sobre o Rio Paraibuna. Dista dali 12 km de estrada de terra.
O bairro está em uma vargem, por onde passa o Ribeirão Grande, com uma cachoeira logo abaixo do bairro.
As farinheiras, que produzem farinha de mandioca em sistema rudimentar nos quintais das próprias casas, são tradicionais no bairro. A maior parte da produção é negociada em Ubatuba. O bairro tem pequena infraestrutura com mercadinho, bares, padaria e um local com comida caseira.
Próximo ao bairro está um trecho do Parque Estadual, o Núcleo Sta Virgínia, cujo acesso é restrito e exige agendamento de visitas no Instituto Florestal, na sede em São Luís do Paraitinga.
Subindo o Ribeirão da Vaca, tem-se acesso a trilha do Corcovado, com 17 km, que vai até o Litoral Norte, em Ubatuba. A travessia é aconselhada somente com guias que conheçam a região.
(Veja Serviço)
Cachoeira do Rio Negro
O Pouso Alto
Esse é um dos locais que nasceram como pouso dos tropeiros, que iam para o Litoral Norte. A vila original foi encoberta pela represa e uma nova foi construída na década de 70. O Bairro do Pouso Alto é uma das paradas na serra. Tem vários barzinhos, padaria e também local para comida caseira. O local oferece a opção de compra de queijos e doces feitos na roça.
Bairro das Palmeiras
Localizado à beira do Rio Paraibuna, distante 6 km do Bairro da Vargem Grande e 18 km da Rodovia Oswaldo Cruz (entrada pelo km 56,9). Passa por ali o Rio Paraibuna, com várias corredeiras e a Cachoeira do Funil.
É ponto de chegada dos praticantes de rafting, que saem de dois pontos acima. Quem faz o passeio são as companhias de rafting de São Luís (veja serviço). O local tem dois bares, uma pensão que serve refeições e um hotel fazenda, com toda a infraestrutura de atendimento, incluindo duchas e piscina natural. Serve refeições para grupos sob encomenda. Conheça ali o projeto do proprietário, que recuperou as nascentes do lugar.
Para conhecer melhor a região, procure os serviços do guia Braz Vená, um defensor da ecologia, conhecedor de plantas e com muitas histórias pra contar.
Braz Vená ecocaipira
Braz Alves dos Santos, o Braz Vená, caipira assumido de filosofia de vida, morador do sertão de Natividade da Serra, leva uma batalha de um verdadeiro D. Quixote das águas. Em sua simplicidade, fala a quem aparece, que todo mundo está se preocupando em salvar as nascentes, mas estão esquecendo, ou não sabem mesmo, que o mais importante é a “mãe” das nascentes.
E a “mãe” são as lagoas que se formam nas cabeceiras dos morros. Locais de acúmulo a partir dos quais a água se infiltra no solo e alimenta o lençol freático, para reaparecer, às vezes, mais abaixo em forma de nascente. Então o Braz quer que todos reflorestem as áreas próximas às lagoas e também cerquem, para que os animais não poluam o precioso líquido.
Cambuci tem projeto
Por volta de 1950, o bairro Alto da Serra, na divisa com Paraibuna, ganhou um novo referencial: “O Bar do Alemão”.
Seu proprietário, Alexander Linz, era na verdade austríaco e tinha um sítio por ali. Como tinha tomado contato com uma fruta estranha nas matas, se perdendo, resolveu ferver e juntar um pouco de açúcar. Nasceu assim o xarope de cambuci que se tornou uma bebida característica da região.
O cambuci (campomanesia phaea) é endêmico da Serra do Mar, sendo mais abundante nos municípios de Natividade da Serra, Salesóplis e Paraibuna.
Seu uso mais comum passou a ser misturado com a pinga, na forma de xarope ou a própria fruta. Aos poucos, os moradores criaram interesse pela fruta, passaram a cuidar das árvores nativas e até a plantar mais.
Recentemente, um restaurante da localidade desenvolveu um molho à base de cambuci para acompanhar carnes brancas e Salesópolis já realizou seu festival de pratos com a fruta, chegando a ter a participação de mais de cem receitas.
Já se fazem sorvetes, refrescos, caldas e doces com o suco da fruta, cuja colheita acontece entre março e maio.
A primeira referência da fruta foi no século XVI, quando Fernão Cardin a citou como “terapia das câmaras de sangue”. Em 1803 é citada por B. Rodrigo de Souza Coutinho como remédio para “moléstias graves” e em 1859 é relacionada na “Flora brasiliensis” por Martius.
Mas somente em 1986 é classificada e em 2005 Leila Kyoko e Marcelo Dias fazem o primeiro estudo das propriedades da fruta.
Em 2008 começou na região o projeto “Circuito do Cambuci”, englobando as cidades de Redenção da Serra, São Luís do Paraitinga, Natividade da Serra, da região das nascentes, mais as cidades de Ribeirão da Serra e Paranapiacaba.
Os participantes querem tornar o fruto símbolo do turismo gastronômico da Serra do Mar.
Tem peixe na rede
Um projeto que começou em Natividade da Serra, em 1997 começa a render frutos, ou melhor, a render peixes. Produtores rurais aderiram ao Projeto de Piscicultura elaborado pela Casa da Agricultura local e, atualmente, cerca de 34 produtores formam a Associação de Aquicultores de Natividade da Serra.
Dos participantes 4 tem mais de 100 tanques-redes, 30 entre 30 e 40 tanques e 19 com até 20 tanques. A entidade já está englobando também produtores do município de Paraibuna.
A maior parte da produção é vendida para pesqueiros, com os peixes atingindo 800g. Mas alguns dos produtores já estão negociando filés congelados e até mesmo a pele, para uso no artesanato.
Os tanques são colocados enfileirados na água, onde, com um bote, é feito o manejo e o trato, sempre a base de ração.
O sistema é muito simples mas requer bom manejo dos tanques-redes e da alimentação correta
Negócio certo
O produtor Afonso Celso, do Sítio Native, em Natividade da Serra, é um dos pioneiros. Era empresário em Campinas e, junto com a família, resolveu investir no negócio que deu certo. Sua produção anual já atinge 50 toneladas
Búfalos alteram vida rural
Natividade foi escolhida para ser a sede do Núcleo de Criadores de Búfalos do Alto Vale do Paraíba, que abrange os municípios localizados entre as serras do Mar e da Bocaina. Os vários produtores dessa região somam cerca de 700 animais e, embora atualmente o rebanho seja heterogêneo, os criadores apostam em melhorias como na engorda de animais e a criação de fêmeas de melhor qualidade.
O Laticínio La Vera, do agrônomo e produtor Cláudio Varella, é o principal incentivador da produção de leite de búfala e trabalha para convencer os produtores de leite de vaca das vantagens de se criar esse animal mais rústico, que requer manejo menos trabalhoso e obtém melhor remuneração no mercado. O mercado de leite de búfala cresce em média 30% ao ano.
O Laticínios La Vera recebe todo o leite produzido nas redondezas e fabrica queijos de bola no soro, nózinho e mussarela. A produção é vendida em São Paulo, mas atende compradores no local.

Onde Comprar
Fábrica Birco - Fábrica de chopeiras comerciais e residenciais. Misturador de bebidas e centrais de bebidas. Av. Benedito Matarazzo Sobrinho, 1315. Tel. (12) 3677-1099. www.birco.com.br
Feiranat - Mostra e venda de artesanatos em geral, trabalhos manuais e decorativos. Aos domingos a cada 15 dias na praça central.
Marcelo de Faria - Trabalhos em madeira e reciclagem. Rua da Prainha. Tel. (12) 3677-1364.
Comil - Pedrão - Marcenerio, produz portas, armários, janelas e decorativos em madeira. Rua Antonio Fernandes de Castro, 49. Tel. (12) 3677-2341.
Geraldo Alves - Trabalha com bambu fazendo cestarias, balaios e peneiras. Rua dos Fernandes, 112.
Zéca do Pilão - Faz pilões, chaveiros e artesanato. Rua Bela Vista, 94. Tel. (12) 3677-1328/3677-1193.
1203/9758-1013
(12) 9147-2743/9118-5474.

Mais verde,mais água
O empresário e escritor Carlos de Fraia chegou ao Bairro das Palmeiras, em Natividade da Serra, há mais de trinta anos. Na ocasião, notou que a propriedade, mesmo sendo situada às margens do Rio Paraibuna, não tinha nascentes com água potável para uso. A água vinha de uma propriedade vizinha.
A partir daí resolveu não limpar mais as pastagens e até plantou mais árvores. Em alguns anos uma antiga nascente jorrou água e, mais alguns anos, a propriedade ficou com seis nascentes, jorrando muita água que encher até piscina e seu lago de peixes.

 

 
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