Agora tamo em rede, mas com o pé no chão.
Toda semana ocê vai encontrar aqui as feição de nosso arquivo e as prosa desse nosso imenso vale caipira.
Lugar que tem muita coisa boa pra escafunchá.
Tudo em vorta de um fogão de lenha, com as gostosuras que nossa gente faz.
Tem ainda os parpites pra passeá, mostrano as lindura da natureza procê se espriguiçar
no finar da sumana.
João Rural - Diretor
Redenção sa Serra
Coordenadas Geográficas:
Latitude: 23º 18’ 45” S Longitude: 45º 33’ 45” W
Localização:
Redenção da Serra está situada no Alto do Paraíba na escarpa da Serra do Mar.
Hidrografia:
Rio Paraitinga
Extensão Territorial:
309,1 km²
Altitude:
730 metros
Habitantes: 3.850
Limites: Taubaté, Natividade da Serra, São Luís do Paraitinga, Paraibuna, Jambeiro
Distâncias:
São Paulo - 165 km
Natividade da Serra -
19 km
São L. do Paraitinga - 36 km
Lagoinha - 59 km
Clima: Temperado com inverno seco
À frente do tempo
Redenção tem esse nome por ter sido o primeiro município paulista a libertar seus escravos, em 10 de fevereiro de 1888. Sua trajetória começa no início do século XIX, quando o Governador da Província envia Francisco Ferraz Araújo e sua mulher, Francisca Galvão de França, acompanhados por um grande número de escravos, para desbravarem o Sertão das Samambaias. Isso foi feito pelo casal de sertanistas que, ao encontrarem o Rio Paraitinga, fixaram residência.
Conta a história, que um dos escravos que trabalhava na abertura da estrada até a residência do sertanista, morreu a uma distância de 9 quilômetros e ali foi sepultado. No local, Araújo mandou erguer uma cruz e, mais tarde, orientava os que lhe pediam terras, para construirem suas casas nas proximidades da cruz.
A população foi aumentando e, logo, uma capela foi construída no local da cruz. O primeiro nome desse povoado foi “Paiolinho”, porque um dos moradores dedicou-se ao cultivo do linho e, após as fibras secarem, guardava-as em um paiol.
A cultura do café também deu impulso ao desenvolvimento do Paiolinho, elevada à categoria de município em 1877, sendo desmembrado do município de Taubaté, mas voltou à condição de distrito em 1934. Sua autonomia só foi retomada em janeiro de 1936.
Apenas em 30 de novembro de 1944, o Decreto-Lei 14.334, alterou seu nome para Redenção da Serra, incorporando ao nome do município o espírito humanitário, já traduzido nas ações de seus habitantes.
Com o represamento do Rio Paraitinga, a cidade foi inundada em quase sua tonalidade. Sobrou a Igreja e o prédio onde funcionava a prefeitura, tombados pelo Patrimônio Histórico.
Em 25 de agosto de 1974, funda-se a nova Redenção, com quase toda a população se mudando para o local. Quem ficou cuida dos restos da história.
A água levou a história
A cidade orgulha-se de ter sido a primeira do estado de São Paulo a libertar os escravos, em 10 de fevereiro de 1888. A decisão dos fazendeiros foi assinada na Fazenda Ponte Alta, que, atualmente, pertence ao município de Natividade da Serra.
Um monumento, criado pelo escultor Demétrius, está na entrada da cidade lembrando o fato histórico. Sua história registra ainda a instalação de uma usina hidrelétrica para atender a Companhia Taubaté Industrial. Mas as águas do Rio Paraitinga, que corta o município, foram represadas engolindo quase toda a cidade antiga, a maioria das velhas fazendas e também a usina.
Parte da cidade virou patrimônio histórico, com a igreja e o antigo prédio da prefeitura tombados pelo Patrimônio Histórico e à espera de restauro. Um muro foi erguido junto aos prédios para que a água da represa não danifique as construções.
As águas agora proporcionam opção de pesca livre em toda a orla do lago. Os esportes náuticos estão em alta, com a cidade sendo sede de um dos pólos do Projeto Navega São Paulo, da Secretaria de Esportes e Turismo do Estado de São Paulo.
Seleiro de artistas
O artista plástico Justino Faria, já falecido, deixou muitas obras, entre pinturas e esculturas.
Em Redenção da Serra está uma das principais, nas paredes da Capela do Cruzeiro. A obra, com inspiração bíblica, ocupa duas paredes, contando em imagens a evolução do homem durante os séculos. Uma moradora vizinha da igreja tem as chaves para quem quiser visitar a obra.
Redenção tem ainda um painel, num armazém da rua central e as cenas da Via Sacra, na Igreja Matriz.
O escultor Demétrius fez muita arte na cidade e em Taubaté. A estátua do escravo, na entrada da cidade, é de sua autoria.
Tem ainda mais dois escultores. Fordão e João Carlos Branco, que atuam e residem em Taubaté.
No artesanato artístico o Carlinho Tacheiro faz panelas, peças de decoração e alambiques em cobre. Ele atende na Rodovia Oswaldo Cruz, bairro do Registro.
Bonecões, danças e Divino
Os bonecões João Paulino e Maria Angu também imperam em Redenção da Serra. A tradição teria nascido no carnaval de 1936, pelas mãos de Marciano A. dos Santos, figureiro e presepeiro em Redenção. Viraram figuras populares na cidade.
Os bonecos sairam no carnaval até 1940, quando Marciano se mudou para Taubaté e lá continou a fazer suas obras. Depois disso, os bonecões ganharam notoriedade e passaram a ser feitos em outras cidades.
Os bonecos de hoje são feitos por funcionários da prefeitura e usam em sua estrutura, ferro e bambu, com a cabeça pintada sobre um balaio de taquara arredondado e roupas espalhafatosas.
A dança de moçambique ainda é tradicional na cidade. O grupo formado por gente simples, agrega homens, mulheres e crianças, que se apresentam em todas as festas populares da cidade e também em eventos representando o município. Com 30 componentes, o grupo é comandado por Francisco Augusto e sua esposa Teresinha.
A mesma equipe comanda ainda roda de violeiros e as Folias do Divino e de Reis, percorrendo residências na cidade e na roça.
Grupo de Moçambique
Grupo de Folia de Reis
Arraiá
da Gente
No aniversário da cidade, no começo de maio, acontece o Arraiá da Gente, onde a cultura do município é mostrada na cidade velha. Acontece apresentações de grupos folclóricos e exposição e venda de artesanato. A gastronomia típica destaca pratos como o feijão tropeiro, vaca atolada, fogado, bolinhos e doces típicos.
Palha vira artesanato
A busca por alternativas de fonte de renda está levando a população da cidade a desenvolver um novo artesanato. O trabalho desenvolvido pelo Setor de Cultura está ampliando o artesanato com palha de milho, que já existia na cidade timidamente. A principal artesã é a Dona Giselda, que desenvolveu um jeito de confeccionar bonequinhas com palhas coloridas.
Cursos foram realizados e agora pelo menos 5 pessoas se dedicam a fazer as bonequinhas, bolsas, flores, arandelas e vasos. O trabalho de incentivo inclui até mesmo o plantio de milho preto, cujas palhas são coloridas em vários tons de marrom. A cidade tem ainda artesãos de fuxico, crochê, taboa e bambú.
Informações no Setor de Cultura e Turismo, na Rua 7 de Setembro, 188. Tel. (12) 3676-1163/9711-4588.