Agora tamo em rede, mas com o pé no chão.
Toda semana ocê vai encontrar aqui as feição de nosso arquivo e as prosa desse nosso imenso vale caipira.
Lugar que tem muita coisa boa pra escafunchá.
Tudo em vorta de um fogão de lenha, com as gostosuras que nossa gente faz.
Tem ainda os parpites pra passeá, mostrano as lindura da natureza procê se espriguiçar
no finar da sumana.
João Rural - Diretor
Santa Branca
Coordenadas Geográficas:
Latitude S 23º 24’ 00” Longitude W Gr 45º 53´00”
Localização:
Região leste, Vale do Paraíba.
Hidrografia:
Rio Paraíba do Sul, Monos, Putim, Gomeatinga, Barretos e Pedras
Extensão Territorial: 270 km²
Altitude: Média 800 m
Habitantes:13.589
Limites: Paraibuna, Jacareí, Guararema e Salesópolis
Distâncias:
São Paulo -91 km
São José dos Campos - 33 km
Jacareí -15km
Guararema -19 km
Paraibuna - 49 km
Salesópolis - 35 km
Temperatura: Média anual de 17,5º
Pouso da Santa
Indícios históricos permitem afirmar que no decurso de 1820, quando neste trecho do estado eram conhecidas poucas Vilas, e mesmo estas em estado primitivo, já havia moradores no território agora ocupado pelo município de Santa Branca.
É sabido que o local foi pouso de tropeiros por muito tempo. Por ali passavam os viajantes vindos do Litoral Norte, via Paraibuna, com destino ao Planalto de Piratininga e vice-versa.
Ao redor de suas habitações outras foram surgindo até que atendendo aos rogos de José Joaquim Nogueira, homem progressista e ousado, o velho Domingos de Brito Godoy, concordou em doar um trecho de suas terras, a partir do ponto em que morava, rumo a uns terrenos ligeiramente montanhosos, para a construção de uma capela em homenagem a Santa Branca. O primeiro registro sobre a vila aparece em 22 de maio de 1832, com a autorização do então Bispo Diocesano D. Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, para a construção da capela. Foram nomeados Bibiano José Nogueira e Antonio Joaquim Mariano, como juiz de paz e escrivão. Devido a isso, 22 de maio ficou sendo a data comemorativa de fundação de Santa Branca. Somente em 11 de dezembro de 1839, foi criado o Curato de Santa Branca, permitindo que se fizesse os registros de nascimentos, casamentos e terras. Com a chegada do café, várias fazendas foram sendo construídas e a economia da aldeia crescendo, atraindo famílias importantes para o local.
Em 8 de fevereiro de 1841, é passada a Freguesia a Capela de Santa Branca, localizada no município de Jacarei.
Pela Lei Provincial nº 1, de 5 de março de 1856, foi criada a Vila de Santa Branca, com território ligado a Jacareí, sendo sede municipal e categoria de cidade pela Lei Nº 80 de 25 de agosto de 1892.
Com a queda do café o município também estagnou, voltando a ter novo alento a partir da década de 50, com a construção da Represa de Santa Branca.
Sua população que era numerosa no final do século, chegou a apenas 8 mil pessoas por volta de 1980.
Pelas ladeiras do presépio
Andar pelas ruas centrais de Santa Branca, conhecida como “Cidade Presépio”, é fazer uma viagem ao passado, com muita beleza colonial e os marcos da pujança histórica do município.
Chamam a atenção as construções em estilo colonial, que serviam de moradias aos barões do café. Várias dessas casas estão ainda conservadas, principalmente pela Prefeitura Municipal, que adquiriu dois desses prédios, no centro da cidade, reformou-os e instalou o setor de Educação e a Casa da Cultura. Neste último prédio, escavações em seu porão, trouxeram a tona rastros dos antigos habitantes. A casa que chama mais a atenção é onde está localizada a Câmara Municipal da cidade. Ela é datada do começo do século XIX e foi construída pelo legendário Ajudante Braga. José Ferreira Braga, nasceu em 1805 em Jacareí, mas logo mudou-se para Santa Branca onde fez história e riqueza.
Igreja Matriz
Café deixou marcas
O rastro do café ainda pode ser visto na zona rural de Santa Branca, depois de quase 200 anos. O município foi um dos últimos do Vale do Paraíba, do ciclo do café no século XIX. Mesmo assim a lavoura fez história, com a construção de pelo menos 20 grandes fazendas em estilo colonial. Muitas dessas obras sumiram por descuido, ou foram tragadas pelas águas da Represa de Santa Branca, construída na década de 50.
Depois do café, os produtores da cidade conseguiram adaptar as propriedades para o plantio da cana-de-açúcar.
Além da produção grandiosa de rapadura, veio também a produção de aguardente, que fez a fama da cidade. Segundo relatos de Neto Caldeira, em seu livro sobre a cidade de 1932, na década de 30, pelo menos 15 dessas fazendas produziam a bebida, chegando a destilar anualmente cerca de 100 mil litros. Sem contar o que não deve ter sido relatado.
Entre essas fazendas estavam a São José, a Boa Vista, a Caetê, a Barra Limpa, a São Pedro e a Paraíba. Até dentro da cidade funcionavam engenhos de cana, com o objetivo de produção de aguardente.
Por muitos anos, Santa Branca girou sua economia rural em torno da boa pinga. Existem nomes locais que se usam até hoje como a “santa”, ou a “branquinha”. Isso porque fora dali, todos conheciam a pinga como de Santa Branca, seja qual fosse o nome da fazenda produtora.
Muitos restos desses velhos engenhos e alambiques ainda estão em pé, parados no tempo, com os mesmos engenhos importados.
Ainda restam belos exemplares da arquitetura colonial deste tempo de pujança. Fazendas como a Caetê, a Gomeatinga e a Serrote estão ainda intactas. A Serrote, construída no século XIX, na estrada de Paraibuna, é um exemplo. Guarda o casarão, com muitas janelas, casa das máquinas e o terreiro de secar café. Atualmente é de propriedade da família Porto.
A Chácara São João, a 2 km do centro da cidade, foi restaurada e se transformou no Restaurante Engenho Velho.
Antigos engenhos e equipamentos continuam funcionanado para servir de atração e demonstração para turistas e estudantes.
Natureza- A cidade é cortada por um bom trecho do Rio Paraíba ainda sem poluição. Uma parte está coberta pela represa de Santa Branca, desde a década de 50. Na zona rural existem ainda várias cachoeiras, como a do Putim, localizada na divisa com Salesópolis. Neste local funcionou por muitos anos a primeira hidroelétrica da cidade. Pesqueiros com restaurante fazem a alegria de crianças e também dos interessados em pesca ou passar um dia no campo. Vários sítios, localizados na zona rural se transformaram em locais de eventos sociais e de empresas.
Fazenda Caetês - Casa colonial do ciclo do café, construída no século XIX. Tem 2 casas para receber grupos, com reservas antecipadas. Estrada do Caetê, km 9. Tel. (12) 3972-0070 e (11) 3085-8536.
Chácara Santa Eufrásia - Estrutura completa para convenções, treinamentos, confraternizações e reuniões. Atende até mil pessoas em um dia. Acomodação para 120 pessoas. Salão para 160 ouvintes, piscina, campo society, quiosques, playground e churrasqueiras. Estrada Jacareí/Santa Branca, km 12,5. Tel. (12) Tel. (12) 3972-4689 / 9261-9081. sitio@santaeufrasia.com.br www.santaeufrasia.com.br
Sítio Remanso do Vale - Área verde com piscina, campo de futebol, tiroleza, trilhas, cavalos e churrasqueiras. Galpão para festas e confraternizações com capacidade para 150 pessoas. Tel. (12) 3972-0696.
Recanto Santa Rita - Tem lagos, piscina, barcos, quiosques, sauna e galpão para eventos acomodando até 60 pessoas. Estrada velha Sta Branca/Salesópolis, km 18. Tel. (12) 3972-0297/9793-4729. www.recantosantarita.com
Recanto Sol Poente - Lagos para pesca, trilhas ecológicas e restaurante no local. Estrada Santa Branca/Guararema, km1. Tel. (12) 3972-0276.
Alambique Santa Branca - Cachaças especiais envelhecidas, e licores. Estrada Santa Branca/Salesópolis, km 4,5 . Atende todos os dias das 8h às 17h . Tel. (12) 9718-2013.
Fazenda Santo Antonio da Boa Vista - Em área verde com dez suítes, sendo 5 casal e 5 solteiro com ventilador, TV à cabo, DVD, som, telefone e utensílios de cozinha. Hípica com cursos de adestramento, hospedagem, lagos para pesca, bar, deck, piscina, lareira churrasqueira, forno para pizzas, campo futebol e vôlei. Estrada Santo Antonio, 1301.
(12) 3972-0135. ww.fsabv.com.br faz_boavista@hotmail.com
Pesqueiro Santa Branca - Tem 10 tipos de peixe, no sistema pesque-pague. Bar com lanches, salgados e bebidas. Rodovia Santa Branca/Salesópolis, km 7. Tel. (12) 9723-1578.
Chácara Dona Biga - Em área verde, com salão de jogos, piscina infantil e adulto, salão de festas para 100 pessoas, quadra de vôlei, churrasqueiras, campo de futebol, playground, trilhas. Tem 6 quartos atendendo até 25 pessoas. Av. Benedito Eugenio de Oliveira nº 851. Tel. (12) 3972 - 0279 / (12) 9718 - 0436. jlanselmo@terra.com.br
Chácara do Ismael - Para festas e confraternizações. Em área verde, casa com com 3 quartos, atendendo 18 pessoas. Tem TV com parabólica, cozinha com fogão, geladeira, talheres, panelas. Piscina adulto e Infantil, churrasqueira com mesas, pias e freezer. Av. Benedito José de Souza, 2120. Tel. (12) 3972-1206.
Sítio do Horácio - Em área verde, atendendo grupos para confraternização. Tem casa com 9 quartos, atendendo até 30 pessoas. Com piscina, salão de festas, churrasqueira, cozinha, campo de futebol socity, lago, tradicional leite ao pé da vaca. Estrada Municipal(terra)Santa Branca - Salesópolis, km 4. Tel. (12) 3972-0414/ 9721 -1613. bgsrei@bol.com.br
Sítio São Francisco - Estrutura para confraternizações com freezer, geladeira, piscina adulto e infantil, churrasqueira, fogão à lenha, campo de futebol e trilhas. Tem acomodação para 22 pessoas. Estrada Santa Branca - Salesópolis, km 2. Tel. (12) 3972-0134/ 9729-0041. enriquelobo79@hotmail.com
Fazenda Caetê
Obra de Euclides
resiste ao tempo
A ponte metálica foi construída em 1902, pelo engenheiro Euclides da Cunha. A obra foi necessária para a ligação de Santa Branca com Jacareí. Foi toda montada com ferragens de origem inglesa, sobre dois pilares assentados dentro do Rio Paraíba do Sul. Fica no Bairro da Angola, a 4km do centro da cidade.
Rio foi barrado
A partir da década de 50, os moradores de Santa Branca foram surpreendidos com a construção de uma barragem no Rio Paraíba do Sul. O projeto foi concebido para regularizar as águas do rio, com a finalidade de diminuir as enchentes nas várzeas do Vale. Em 1996, ela foi privatizada e a Light construiu a Usina Hidroelétrica, que foi inaugurada em 7 de abril de 1997.
A represa tem uma barragem de 50 metros de altura e 320 m de comprimento de crista. Ocupa área de 27,5 km² de terras dos municípios de Santa Branca, Jacareí, Jambeiro e Paraibuna.
Muitas boas terras e antigas fazendas foram alagadas, dando lugar ao lago que atinge também Jambeiro e Paraibuna.Mas a atração maior para a população e visitantes é seu fator de desenvolvimento turístico. Na margem do lago, podemos ver muitos empreendimentos de chácaras e sítios e os pescadores comparecem para suas horas de lazer. A Toca do Leitão, que já foi mais famosa, ainda tem o atrativo de pescadores, que contam até com uma rampa para desembarque de barcos.
História nos retratos
Visitando os pontos comerciais de Santa Branca, é fácil deparar com fotos antigas da cidade. São obras do fotógrafo João da Silva Abreu que nasceu em Santa Branca, em 1877, e fotografou sua terra com perfeição técnica. Sua paixão começou quando um amigo da cidade comprou uma máquina fotográfica mas não conseguiu usá-la. João se interessou e começou a fotografar.
Gostou da experiência e resolveu comprar um manual de fotografia. Aprendeu tudo sozinho, inclusive a fazer as chapas de vidro e a revelar as fotos, por sinal, com muita qualidade.
Ainda hoje existem centenas de “chapas de vidro” das fotografias de João. Faleceu em 1963, e trabalhou com sua máquina até os últimos dias, quando suas condições de saúde não lhe permitiam sequer segurá-la com firmeza.
Sua principal preocupação era documentar a Santa Branca de sua época, receando que ninguém mais o faria, como aconteceu realmente.